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Os funcionários nas duas áreas de serviço no Alto do Leomil, na A25, já esperavam por despedimentos, até porque os rumores já tinham surgido há alguns meses atrás, mas ficaram surpreendidos pela atitude da empresa em enviar cartas de despedimento antes de falar com os trabalhadores.

A empresa justifica os despedimentos com os maus resultados, penalizadores para a empresa, na venda dos combustíveis.

 

A empresa que detém as duas áreas de serviço em funcionamento na auto-estrada A25, no Alto do Leomil, perto da fronteira de Vilar Formoso, enviou na semana passada, cartas de despedimento à maioria dos funcionários, estando em risco entre 38 a 55 postos de trabalho dos 58 existentes.

Os despedimentos surgem numa altura em que as bombas de combustível estão a registar perdas significativas nas vendas que, segundo a administração da ToiGuarda, proprietária da concessão, levou a prejuízos de mais de 500 mil euros no ano passado.

Da parte dos trabalhadores, a delegada sindical, Rosa Torrado, funcionária da área de serviço há 15 anos, já esperava que mais cedo ou mais tarde pudessem haver despedimentos, mas não tão cedo.

“As pessoas ficaram assustadas porque tentámos várias vezes marcar reuniões com a direcção e só nos diziam para aguardar” recorda, porque já existiam boatos, nunca confirmados, de que iriam existir despedimento. “É frustrante, porque somos trabalhadores de há muito tempo, nunca faltámos ao emprego e, apesar de haverem muito boatos, nunca nos disseram nada”, lamenta a delegada sindical.

Maria Teresa, que trabalha nas bombas da BP desde Maio de 1992, altura em que esta abriu, admite que já se contava que houvesse despedimentos mas nunca pensou que fosse para já. “Os combustíveis tiveram uma perca muito significativa mas o bar, onde trabalho, tem funcionado normalmente e também me vou embora” disse a funcionária.

Também António Lameiras, com 10 anos de casa, admite que vai ser “complicado” fazer face ao despedimento, até pela idade que já tem. Com 50 anos, para este, o facto de a empresa ter aberto bombas do lado espanhol, em Saints Spirits, “os despedimentos poderiam ter sido evitados, pois deve ter ajudado a equilibrar as contas” e o possível prejuízo do lado português.

Quando à situação dos trabalhadores, o Sindicato diz que os visados com as cartas de despedimento têm retroactivos por receber. Rosa Torrado disse que nos últimos três anos não foram actualizados os salários, segundo o tabelado, e esperam que a administração resolva esta situação até à saída das pessoas.

Os despedimentos, conforme se pode ler na carta de despedimento, vão ser executados dentro de menos de 80 dias.

 

Autarca de Almeida reclama intervenção do Governo

O presidente da Câmara de Almeida desafia o Primeiro-Ministro e o Ministro da Economia a olhar para a zona fronteiriça, de norte a sul, onde diz, “é impossível fazer face ao diferencial do IVA espanhol”, lamentando que a situação crítica dos postos localizados perto da fronteira comecem obrigar ao despedimento em massa, por dificuldades com a não venda de combustíveis.

A autarquia de Almeida pondera vir a apoiar a área de serviço no Alto do Leomil com taxas de água mais flexíveis, bem como na energia.

Fonte Jornal Nova Guarda

publicado por damasceno às 20:11