Os melhores “spreads” publicitados pelos bancos nem sempre estão acessíveis a todos os clientes. O Jornal de Negócios consultou oito bancos com base num rendimento médio. O “spread” mais baixo oferecido foi de 0,49% e o mais elevado de 0,8%. Mas o melhor é, mesmo, não ficar pela primeira proposta apresentada pelo banco, mas regatear. O balcão do Santander apresentou a prestação mais baixa.

Os melhores "spreads" publicitados pelos bancos nem sempre estão acessíveis a todos os clientes. O Jornal de Negócios consultou oito bancos com base num rendimento médio. O "spread" mais baixo oferecido foi de 0,49% e o mais elevado de 0,8%. Mas o melhor é, mesmo, não ficar pela primeira proposta apresentada pelo banco, mas regatear. O balcão do Santander apresentou a prestação mais baixa.

"Há profissões, como médicos e advogados, que têm acesso a taxas mais baixas", explicou um funcionário de um dos oito bancos que o Jornal de Negócios consultou para pedir uma proposta de empréstimo à habitação. Não ser um cliente "premium" (rendimentos elevados e de baixo risco) significa, muitas vezes, não ter acesso às condições mais vantajosas, nomeadamente nos juros cobrados nos créditos.
O Jornal de Negócios pediu simulações a oito bancos com base num rendimento mensal líquido de 1.600 euros para o agregado familiar e o "spread" mais baixo a que teve acesso foi de 0,49%, concedido pelo Barclays. O mais elevado foi dado pelo Millennium BCP, que propôs uma taxa de 0,8%. Mas o "spread" mais baixo, nem sempre significa uma prestação mais reduzida. O empréstimo pedido aos bancos foi de100 mil euros, para um período de 30anos.

                                    

O prazo da Euribor varia de entidade para entidade. Foi apresentada uma simulação para um casal de 28 e 30 anos, ambos efectivos, com um rendimento global de 1.600 euros por mês. Estes não são os clientes considerados "premium" pelos bancos e isso foi visível nos balcões. Recorde-se que muitos bancos têm publicitado "spreads" zero e de 0,25% e, ao Jornal de Negócios, foi oferecido o "spread" zero por apenas dois bancos e num período de 12 meses.
No que respeita à prestação final – que inclui juros, amortização de capital, seguro de vida e a comissão cobrada pelo processamento mensal da prestação (praticada por alguns bancos) – o vencedor foi o Santander. O banco espanhol deu a prestação mais baixa, de 559,88 euros. Estes valores não foram renegociados.
O Jornal de Negócios limitou-se a recolher as propostas iniciais dos bancos, mas a maioria referiu que era possível rever as condições oferecidas. À margem do "spread" e das prestações, há outros factores a ter em conta, como as comissões e os encargos cobrados pelos bancos.
Por exemplo, só para iniciar o processo, o Millennium cobra 270,40 euros. Já a CGD está a oferecer as despesas de abertura de processo, bem como de avaliação. Mas o banco que maiores comissões cobra de início é o BBVA onde, no total, o cliente paga mais de 600 euros – entre abertura do processo, avaliação e solicitadora simples (no pressuposto que há uma imobiliária a intermediar a aquisição da casa, caso contrário este valor chega aos 666,5 euros).
Uma outra questão verificada através das propostas concedidas pelos bancos, é que o "spread" zero não significa, necessariamente, ter uma taxa mais baixa ao longo de toda a vida do empréstimo. O BES concede taxa zero nos primeiros 12 meses e, por isso, nesse período a Taxa Anual Efectiva (TAE) é de 5,688%. Fora desse período sobe para 5,746%. Mas, caso não houvesse promoção, a TAE seria de 5,744%,ou seja, mais baixa do que a praticada fora do período promocional.
No outro banco onde foi concedido o "spread" zero durante 12 meses, não se verificou uma taxa fora do período promocional mais elevada.


in JNeg