A manipulação dos estudos de opinião em momentos prévios a actos eleitorais é, infelizmente, uma prática muito comum, no nosso País.

Todos nós nos lembramos das brutais disparidades que se verificam entre estudos de opinião que vão sendo publicados nos Órgãos de Comunicação Social e os resultados eleitorais obtidos, ao longo dos anos. Assim, estamos colocados perante o seguinte dilema: ou há manipulação ou essas empresas não são de confiança.

Infelizmente, a regulação desta actividade, em Portugal, não foi capaz de dar, ainda, os passos necessários para introduzir critérios e boas práticas, tão comuns noutras Democracias e que impeçam essas eventuais manipulações de dados. Em nome de uma democracia com qualidade.

 

O mais recente estudo de opinião da SIC/Expresso/Rádio Renascença que hoje (no caso da SIC e da Rádio Renascença) e amanhã (no caso do Expresso) se conhece, realizado pela empresa Eurosondagem, é um bom exemplo disso. A fazer fé na ficha técnica da dita sondagem, 31,8% dos inquiridos dizem que votariam no PS e 23% no PSD. O número de indecisos (os que não sabem ou não respondem) eleva-se a 21% e a margem de erro é de cerca de 3%. De seguida, a empresa, utilizando a suas técnicas projectivas (que são o “segredo do negócio”), diz que o PS passaria a obter 40,3% das intenções de voto e o PSD 29,1%!

Sei bem, por experiência profissional de várias décadas, na área da Comunicação, a par da minha experiência política, que há sempre quem esteja disponível para se prestar a contribuir para campanhas de intoxicação e de desinformação onde se verifica a utilização indevida de pretensos resultados de “estudos de opinião”.

Também sei que as sondagens são diagnósticos e não prognósticos eleitorais. Os verdadeiros resultados eleitorais serão onhecidos após o exercício do direito de voto de cada um dos cidadãos, em liberdade. E, sobretudo, sem condicionamentos.
Há algum tempo atrás, Manuel Alegre, a propósito das sondagens publicadas durante última campanha para as eleições presidenciais, chamava a atenção para estas “estranhas sintonias” (ver comunicado da sua campanha e notícia publicada na altura nos links indicados), entre o que serve, objectivamente, o Partido Socialista em detrimento da realidade e da adesão das pessoas.

Por isso, Alegre pedia “decência” e “isenção” e alertava para o facto de a Eurosondagem ter como principal responsável alguém que era dirigente do PS (no caso em concreto indicava o nome do responsável pela sondagem que hoje é anunciada na SIC e na Rádio Renascença e que amanhã será publicada no Expresso, o Dr. Rui Oliveira e Costa).
Hoje, esse “apelo à decência” continua na ordem do dia. Pelo respeito que nos merecem os portugueses. Pela contradição tão óbvia entre aquilo que é realidade vivida e a virtualidade dos números projectados. Pela análise séria de outros estudos de opinião que são de todos conhecidos. Em nome da Verdade.

Agostinho Branquinho (Director Executivo das Campanhas Eleições 2009) Fonte www.psd.pt

publicado por damasceno às 23:05